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05 Janeiro 2012

Certo dia os ratos resolveram discutir quem deveria ficar com o Grande Queijo. 
O rato de telhado, tentando resolver aquele impasse disse:
_Eu mereço esse pedaço porque fico nas alturas e anuncio quando o perigo se aproxima. 
O rato de esgoto, enfurecido com aquilo disse:
_Mas eu conheço as porcarias do homem como ninguém. Fui condenado a esse destino, mereço pelo menos alguma coisa boa nessa vida. 
O rato da árvore não se conteve com aquelas palavras e rolou de rir, chegando a cair no chão. Mesmo entre as risadas falou:
_Teve o que mereceu! Tua sina é essa, a natureza te fez para isso. Eu mereço esse pedaço porque sou o único que respeita os caminhos que o destino nos designa. 
Ficaram ali discutindo quando o rato de laboratório chegou com o braço erguido e gritando bem alto:
_Calem a boca, seus imbecis! Se existe alguém que merece esse queijo sou eu. Sou o mais limpo, o mais querido e o mais inteligente de todos. 
Os outros ratos se revoltaram com aquelas palavras e começaram uma intensa disputa. Bateram-se, morderam-se e sangraram aos pés do Grande Queijo. Ali ficaram agonizando até o dia amanhecer. 
Os raios de sol entraram na cozinha e junto deles o vento que remexeu e soltou as folhas do calendário que estava na parede. Uma delas voou e caiu sobre quatro ratos mortos. Era o mês de agosto com uma linda foto de um queijo gigante.

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