Os dias estão estranhos. As pessoas confusas. O tempo que voa. O sentimento que não sossega.
Seria culpa do sistema? Mas que sistema é esse que tanto nos controla? Não somos donos de nossos narizes? Ou tem alguém respirando por nós?
E essa sensação de limite? Tudo está no extremo: o amor que mata, que suga, consome energias, corrói. A raiva se transforma em ódio e enche as mãos de sangue. A fúria enche a boca de palavrões, injúrias, amargura e ignorância. As palavras são lançadas como balas de canhão que destroem o coração de quem ouve.
O mundo já não gira em torno do sol, agora temos pequenos universos em cada ser. Lentamente todos nos tornamos sóis, e aos poucos nossos mundos diminuem e mediocremente se resumem em preferências pessoais. O que antes era o universo hoje se tornou um ponto.
Ponto que não se liga em outros pontos, que vibra sem sentido ou razão. Que fica sozinho e se pergunta porquê. Pobre ponto que vaga no vazio, não sabia que foi feito para ser reta? Pare de vibrar, de se inquietar.
Respire. Releve, reflita, recomece enquanto há tempo. Aproveite enquanto teu fio de prata não se rompeu. Lance fora teu copo de cólera e beba um pouco mais de tolerância.
29 Maio 2011
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