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26 Novembro 2010

Quando as coisas não são mais ficção

Os traficantes tomam conta do Rio de Janeiro. O espetáculo do horror toma conta da mídia. Uma enxorrada de comentários infantis tomam conta das mídias sociais.

Esse é o cenário que tenho presenciado nos últimos dias dessa semana. Cansativo, para falar a verdade. Incômodo demais, para ser sincera.

Fico vendo as pessoas discutindo sobre o assunto como se fosse meramente mais um capítulo da novela das oito, onde nos sentimos donos da verdade e, por isso, podemos decidir pelo direito de vida dos personagens.

É como quando nos sentamos para ver um filme de ação e torcemos para que o bandido seja trucidado pelo mocinho. Porém, infelizmente não fazemos parte do universo de Hollywood.

Estamos no mundo real, aquele onde sentimos dor, onde morremos de verdade, onde as coisas de fato acontecem. Aquilo que assistimos na televisão não é mais uma série ou o próximo capítulo de um filme. Infelizmente são fatos reais. Aquelas pessoas que tanto os outros torcem para morrer são pessoas reais que respiram ou sentem dor como eu e você.

Não venho aqui defender o banditismo, só não posso aceitar uma visão focada demais no caso. Me desculpem, mas não consigo assistir a tudo aquilo sem pensar em todo o processo que possivelmente levou aquelas pessoas aquelas ações. Sem me lembrar da diferença social, na dor que sentimos com o preconceito, na sensação de ter seus direitos violados só para se garantir o direito do outro, na raiva de ser confundido com o mal só pelo tom da pele, no desespero de ver seus filhos sofrendo e não poder levá-los ao médico.


Sentado em frente ao computador ou da televisão é fácil criticar. Do asfalto o morro parece outro mundo. O inferno, talvez. Engraçado pensar que durante o mês de fevereiro as favelas são ovacionadas, são o motivo do orgulho das grandes cidades, entretanto o sentimento muda quando se apagam as luzes da avenida. A ressaca dura o ano inteiro.

Enquanto isso, ficamos aqui. Imóveis como aquela estante no quarto e sendo adestrados pela "janela do mundo" que insiste em nos ensinar a viver. Ainda bem que a minha está desligada. 

Se quiserem discordar, estejam a vontade. Acredito que há o direito a expressão.

fonte imagem: vi.sualize.us

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