Era um imenso campo repleto de tulipas vermelhas. Eu caminhava por elas e sentia a maciez de suas pétalas passando pelas minhas mãos. A delicadeza daquele cenário me comovia... E como uma maneira de agradecer aquela oportunidade, chorei. Imediatamente recebi um sopro em resposta a minha gratidão àquele momento, lindas borboletas apareceram e encenaram um balé ao meu redor. Juntas, eu e elas, podíamos ouvir a doce melodia do viver... Uma linda poesia era dita, e as palavras possuíam sabor de mel.
Meu coração se alegrou. Corri. O máximo que minhas pernas puderam aguentar. O vento acariciava meus cabelos e entrava nos meus pulmões como um afago revigorante. Era a sensação de disposição, de querer seguir em frente e sempre em frente.
Avistei ao longe uma linda árvore amarelada em cima do monte. Era ali que eu queria chegar. Enquanto eu corria, comecei a me lembrar de como tinha conseguido encontrar aquele lugar mágico. Era um dia de chuva. Estava em meu quarto remoendo minhas dores e angústias. Eram tantos dissabores que nem tinha conseguido perceber o término da precipitação de verão. Abri meus olhos, que nessa altura já estavam totalmente inchados devido as lamúrias, e vi se formar um lindo arco-íris em frente a janela.
Imediatamente fui levada ás histórias da infância sobre a lenda do pote de ouro. Não queria dinheiro, mas a sensação de felicidade propiciada pela descoberta do tesouro.
Resolvi pular a janela e seguir aquele propósito. Queria a sensação.
Era um devaneio, sim o era, entretanto pior ficar ali imaginando como seria.
Levantei o olhar e segui as cores. Tão lindas. Tão harmoniosas.
Passava por todos e ao longe ouvia os ruídos de contestações: "É uma louca!" diziam.
Houve momentos em que eu quis olhar para o chão, porém se o fizesse perderia o caminho, e teria de esperar a próxima oportunidade para aquilo.
Não o fiz, e apertei o passo na eminência do término do fenômeno. As cores estavam cada vez mais claras e dispersas não poderia atrasar, o final estava muito perto.
Tão perto que me arrisquei e saltei. Lancei-me como uma ginasta competindo em decisão final.
Voei... E levemente repousei naquele lugar.
Ao lembrar dessa trajetória, sorri. E ao pé da árvore agradeci novamente. Deitei-me em seus pés e adormeci.
Quando acordei estava em um quarto. Não era aquele que eu havia saído. Era mais iluminado.
Mais interessante. Lentamente me levantei e pude racionacionar melhor. Havia sonhado.
Melhor, havia profetizado. O que eu vivi é aquilo que costumamos chamar de felicidade. E o trajeto que eu fiz é em verdade a caminhada que se faz para conquistar um sonho.
Todo esse processo tem o nome de vida. E sempre haverá um retorno. Porém jamais será para o mesmo lugar. "É impossível mergulhar duas vezes no mesmo rio."
Está chovendo lá fora e daqui a pouco terei de sair, novamente.
E de repente, mais um dia. O sol desponta, os animais em sua rotineira algazarra matinal, e os humanos como sempre sem nada perceber. O amanhecer está irritantemente laranja. Hoje não era isso que eu queria. Desejava um dia colorido.
Porque não, por uma só vez o sol nascesse sorrindo e dele saíssem raios ondulantes de todas as cores com uma bela canção de jazz ao fundo.
O que quero é alguma coisa que me faça suspirar ao ver o nascer de mais um dia.
O fato de viver tem sido para mim grande motivo de alegria como nunca tinha ocorrido antes. Caso alguém queira utilizar esse argumento contra as necessidades que irei relatar, de antemão já aviso, é de conhecimento do acusado e não poderá ser usado contra.
Eu quero algo a mais. O que quero cabe em uma palavra.
Uma apenas, grande é o seu conteúdo, ou como diz um amigo, a sua definição.
Porém, para mim ela é indefinível porque não foi feita para pensar, contudo para sentir...
Não quero mais a chatice do mundo normal. Não quero um namorinho de portão. Nem um beijo de final de semana. Preciso de muito mais. Sentir meu corpo fundindo ao corpo de alguém. Ver minha alma entrelaçada ao outro. Dançar um balé deslumbrante pela sua perfeita sintonia.
Abrir os olhos e ver-me espalhada pelo mundo irradiando aquilo que há de melhor no viver. Estar cheia de uma coisa sem matéria. Um nada recheado de sensações...
Eu quero o conteúdo. Não apenas a palavra dita, repetida sem emoção ou proferida em um momento de tesão. Quero o tudo. Alma. Espírito. Corpo. Mente. Humano. Mundo. Deus. Vida. Enfim, levantei da cama. O dia correu, já é tarde agora. E o tempo se vai. As estrelas estão longe. E a Lua se escondeu. Mais uma vez ele se foi. E agora tudo está escuro. Não há cores...
OBS.: O texto não ficou muito bom, mas tenho em mãos a justificativa... Uma pequena frase de Chaplin: "O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir. "
Indústria Cultural. Uma praga sem pesticida!!!
14 de abril de 2009 Postado por Fatine Oliveira às 12:34 |
Conceito: "Indústria cultural é o nome dado a empresas e instituições que trabalham com a produção de projetos, canais, jornais, rádios, revistas e outras formas de descontração, baseadas na cultura, visando o lucro. Sua origem se deu através da sociedade capitalista que transformou a cultura num produto comercializado."
Resultado: O tênis aí em cima...
Não sei dizer se esses desdobramentos do capitalismo são ruins. Por que ao mesmo tempo que tornou grandes expressões de arte em mero objetos de consumo, em contrapartida permitiu que várias pessoas tivessem acesso á existência dessas artes. O problema reside na ignorância do público que na maioria das vezes consome um objeto sem saber o porquê.
A quem culpar? A publicidade? O capitalismo? A falta de planos educacionais do governo? Ao público?
Esqueçamos os culpados, preocupemo-nos em pensar sobre tais fatos...
E no mais, admirar as invenções do sistema. Um belo calçado não??? rsrsrs

Ontem foi páscoa. Momento para reflexões, mudanças internas, desconstrução de pensamentos, dia de se entregar ás crenças, mas principalmente, dia de se comer muito chocolate. Tudo bem, sei que "tudo que é sólido, desmancha no ar", sei também que todas as crendices estão sendo transformadas em um emaranhado de princípios que ninguém sabe onde começa nem onde termina. Porém, terei de ser um pouco conservadora neste momento, apesar de fugir á proposta do blog, ainda assim vou arriscar uma opinião contrária a minha mesmo. (A isso chamo de desconstrução de um pensamento, ou apenas mudança de opinião, ou ponto de vista diferente, fique a vontade para escolher)
Lembro-me de um amigo que tinha o prazer de ser pai. E como tal preocupava-se com a educação que daria a seus filhos. Homem cristão que era, fundamentava seus ensinamentos em dogmas propostos pela Bíblia. Entretanto, tinha a precaução de causar um instante de pensar em seus pequenos e fazê-los compreender o real sentido do que estava pregando ali. Uma das coisas que mais me impressionou, e certamente o fez merecer a citação nesse post, foi a questão levantada acerca da Páscoa.
Ele dizia ás crianças: "Páscoa é ressureição, e não chocolate!" E para evitar que elas ficassem "aguadas" comprava os doces e distribuia depois da data. Entretanto, o significado era sempre enfatizado.
E dava certo. Impressionantemente.
Os tempos mudaram. Recordo também de um dia que fui numa loja de departamento, dessas tipicamente americanas, dias antes da Páscoa. Aff. Era o verdadeiro inferno. Faltou o calor e os garfos, por que demônios ali estavam. Todos se empurrando, acotovelando-se, chingando-se para pegarem os melhores ovos. Naquele dia Satanás deve ter zombado da cara de Deus.
Imagino ele dizendo: "Seu filho pode ter ressucitado e tomado a chave de minha casa, mas transformei esse dia em algo totalmente sem valor."
Triste pensar nisso. Mórbido também. Terrivelmente realista. O que me desanima demasiadamente.
Contudo, como dizem, é momento de renovação. Tempos de esperança.
Nada contra o ato de presentear. Os ovos representam isso. Um nascer. E o chocolate foi incrementado para "melhorar a coisa toda". O capitalismo veio e já viu. No comments.
Sei que muitos não acreditam no doce gosto desta data. Acredito que compreendem que é um dia de sacrifício. E por esse motivo, esperança. Depois de um dia de dor, a alegria virá pela manhã.
E tudo renasce.
Peço que você caro leitor, ao ler esse pequeno desabafo, reflita. E se for possível, mude. Ajude a Deus a ter argumentos contra o Diabo no próximo ano. Ou melhor, em todos os dias.
"Não vos conformeis com este mundo" Ele nos pediu.
Resta-nos conceder ao pedido.
Feliz Páscoa, em seu real sentido.
Obs.: Sei que foi um comentário totalmente dogmático, entretanto gostaria de enfatizar que a preocupação está não somente no abandono ás tradições cristãs, porém ás pequenas coisas que deveriam merecer um maior cuidado, tais como o cuidado, respeito, amor, esperança. Esses sentimentos que fazem parte da moral humana. Ou melhor, que um dia fizeram parte. Conto com a inteligência do leitor para o entendimento disso.

Ao contrário do que pode pensar, eu tenho espelho em casa. Portanto, estou ciente de minha imagem, ou seja, daquilo que é representado. Porém, imagens não me satisfazem.
Sou mais que um reflexo. Sou profundidade.
Ando pelas ruas, ouço o que dizem, presto atenção nos detalhes da vida, e ainda permaneço numa procura incessante por algo em que eu possa me identificar. E como tantas outras lutas, em vão.
Olho as pessoas, indo e vindo ocupadas com tudo e envolvidas com o nada. Todas elas possuem destino para chegarem, entretanto desconhecem como fazê-lo.
Vejo uma mistura de coisas, todas elas descentralizadas. Todas sem origem, nem fundamento. E todas com um significado intríseco: o vazio.
Quero algo para me situar nesse mundo sem situação. Identidade sem pertencer a nicho algum.
Não quero ser um mero público alvo esperando a seta da propaganda me acertar. Tampouco um perfil que já possui seus gostos traçados e cadastrados em qualquer banco de dados.
O que eu anseio ainda não tem nome, disse a poetisa. Clara e objetiva.
Preciso me identificar, pois a angústia desse mundo etiquetado me consome.
Não quero mais imagens, preciso de emoções...Profundas e verdadeiras.
Cansei de ser Pós, quero ser o instante.





