As pequenas mortes.

25 de março de 2009 |


Tudo escureceu. A luz que em mim reinava se apagou. Dei o último suspiro e me lancei. Morri...
Ao terceiro dia, porém, ressucitei. Ou foi no mês seguinte? Não importa o tempo, a próxima morte não tardará em aparecer. Não, não se engane. Não fui consumida pelo monstro da depressão, tampouco pretendo finalizar minha vida. De forma alguma pensaria nisso. Me falta coragem para tamanha covardia.
Falo das pequenas mortes e dos pequenos renascimentos. Supremacia da fênix, talvez.
Todos os dias vemos o sol nascer e morrer. Vemos a lua e as estrelas surgirem e desaparecerem. Eis o ciclo da natureza. A cada dia uma nova transformação. A cada momento uma estação. E tudo se renova.
Sim, abandonamos o estado de natureza. Somos racionais agora. Pensamos e transformamos o meio ambiente de acordo com o nosso desejo. Mas ainda assim comemos e respiramos. Enfim, ainda somos parte desse imenso universo que nos cerca.
"Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma."
Assim é o que somos...
Parte de um enorme processo de profunda transformação. O que sou hoje é resultado de uma perda anterior. Algo em mim morre todos os dias, para que aquilo que há de melhor possa aparecer. Isso pode ocorrer de várias formas, um final de relacionamento, uma briga, uma tristeza, um abandono, ou um novo ponto de vista. Tudo me mata. Mas sempre irei ressusgir.
Não é algo tão simples como pode parecer. Gera dor. Tal qual a dor de sentir seus galhos serem cortados. A lágrima cai. Grossa e amarga como a seiva. Contudo os dias passam, e novos ramos crescem. Mais verdes, fortes e com um vigor muito maior do que o que estavam antes.
Os galhos cortados? Estão aos meus pés, fortalecendo-me para que eu possa alcançar o céu.
E mais uns dias se passarão... E novas mortes virão.
Em verdade, sem dogmatismos, não existe a morte. Existe o transformar. Eu não me finalizo, apenas recomeço.
Continuarei participando desse longo processo do existir seja na mente de alguém, em fotos, ou até mesmo em partículas bem menores sendo consumidas por algum ser vivo... Uma rosa talvez.
A cada adormecer eu me mato. Um suicídio diário. Um eterno adeus ao passado. Fecho os olhos e dou o último suspiro. E ao amanhecer, eu ressuscito. E ao abrir os olhos, tudo começa novamente...
Ah, como é bom viver...

A grande revelação

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"Choramos ao nascer porque,
chegamos a este imenso cenário de dementes."

William Shakespeare

O delicado abrir dos olhos...

22 de março de 2009 |


"Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

Mario Quintana

Respirando a vida...

18 de março de 2009 |



Não sei de onde eu vi esse trecho que irei compartilhar com vocês. Mas nesse momento de crise, onde tudo nos parece mais inviável e a vida perde todas as suas cores; ajuda-nos a pensar melhor e refletir para aquilo que de fato é viver. A vida não é um problema para se resolver. É uma oportunidade de começar...

"Do mal, muita coisa boa resultou.
Mantendo-me calmo, nada reprimindo, permanecendo atento e aceitando a realidade.
Vendo as coisas como elas são e não como eu queria que elas fossem.
Ao fazer tudo isso, adquiri um conhecimento incomum, assim como poderes invulgares, de uma amplitude que jamais poderia ter imaginado. Sempre pensara que quando aceitamos as coisas, elas nos sobrepujam de um modo ou de outro. Resulta que isso não é verdade em absoluto.
É somente aceitando as coisas que podemos assumir uma atitude em relação a elas.
Por isso, tenciono agora fazer o jogo da vida, ser receptivo a tudo que me chegar, bom e mal, sol e sombra alternando-se eternamente; e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos.
Assim, tudo se torna mais vivo para mim. Que insensato eu fui! Como me esforcei para forçar todas as coisas a harmonizarem-se com o que eu pensava que devia ser ... "

Carl Gustav Jung

Desafie-se!

17 de março de 2009 |


Picasso

Me deêm licença que eu quero voar...

13 de março de 2009 |




"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro 'me acho, me agacho, fico ali'.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de 'amigo' e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"

Clarice Lispector

Desconforte-se!

10 de março de 2009 |

Salvador Dalí

O sentir com a razão...

9 de março de 2009 |



Dias atrás, coloquei um post aqui sobre a capacidade de esperar com a razão. Fiz vários questionamentos acerca de sentimentos e ainda rolou um desabafo meu (rsrs) sobre a necessidade de ser emocional.
Entretanto, como diria uma linda Rosa que tanto aprecio: "Vida é noção que a gente completa seguida assim, mas só por lei duma idéia falsa. Cada dia é um dia." E assim, como haveria de ser, aconteceu comigo. Eis que minha mente conseguiu compreender a necessidade de se sentir com o saber.
Paradoxo. Sim. Complicado? Demais. Impossível? De forma alguma. Creio que tal situação é o que chamam de MATURIDADE EMOCIONAL. Ou para alguns, o paraíso.
Hoje encontrei um trecho de Fernando Pessoa que caracteriza com excelência o amor romântico, tão explorado pela literatura, mídia e qualquer outra expressão de arte.
Antes de colocá-lo gostaria de ressaltar o significado da imagem colocada. É sim, um coração de pedra. Contudo, não faço alusão ao sentido pejorativo do termo, mas sim na força existente na rocha e a sua relação com o sentir. Para melhor compreensão, nada que simplifique mais do que as palavras de Che Guevara: "Há que endurecer-se, mas sem perder a ternura."
E agora, as palavras de Pessoa:
"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."

Sabedoria...

7 de março de 2009 |


"O VELHO E A FLOR

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor."

Vinícius de Moraes

Ausência...

4 de março de 2009 |

Queridos, me ausentarei alguns dias por motivos virais...
Novamente a eminência de uma gripe!
Aff...

Um alívio na loucura...

1 de março de 2009 |



Um sopro de esperança invade o meu coração. A alma sorri e o corpo descansa. A mente vagueia em inúmeras possibilidades. E a razão, de longe, a tudo assiste.
Pergunto-me, e certamente não encontrarei as respostas que anseio, será que existe alguma chance de se esperar sem que o seja com o coração?
Será possível ser emocional amparando-se em pensamentos bem fundamentados e estruturados? Creio que não.
Não me venham com o falso manual pragmático da vida, onde tudo se resume em felicidades absolutas. Não fujo do real, da certeza da dor, da decepção, da expectativa. Me escondo dessa sensação horrorosa de perfeição. De uma vida brutalmente roteirizada e esquematizada.
Quero emocionar-me. Lançar-me no incerto, na imprecisão, sentir o frio na barriga e a sensação de que o chão está próximo. Emoção é a fuga da razão, é o descanso da mente. O "instinto" dos humanos.
Esperar. Aguardar. Segurar-se. Conter-se. Estar em paz.
Aos ansiosos, esperar é uma tortura. E não é de se espantar que o seja. Como andar em passos lentos, se somos empurrados e pressionados a caminhar. A paciência existe somente em fábulas, tal como a da tartaruga e da lebre. Hoje devemos ser lebres, coelhos ou qualquer outro tipo de animal bem veloz.
Entretanto, a espera sempre virá. O mundo pode ter mudado, porém o destino ainda trabalha da mesma forma. Ele e seu aliado, o tempo. E nós, também não transformamos muito. Ainda somos sentimentais. Só que agora, cobrimo-nos com uma enorme couraça de conceitos e ideologias.
Inútil se esconder, o coração sempre contará os dias, as horas, os minutos e mesmo que se acabem os números encarrega-se de reorganizá-los e iniciar uma nova contagem. Não adianta negar, tampouco evitar. Quando menos se percebe, lá vai os pensamentos brincarem com os fatos. E tudo se transforma em fantasia. A linda magia do pensar.
Estou em espera. E por mais que não seja o que almejo, não poderei reclamar. Essa sensação de algo acontecendo, do milagre da vida apresentando-se lentamente já é o bastante para dizer que as coisas estão bem e mesmo que não estejam, ficarão.
Em verdade, sempre haverão coisas acontecendo em nossas vidas. Porém, nossos olhos já não conseguem perceber essas minúcias. Prestamos muita atenção nas coisas grandes e esquecemo-nos das pequenas. E nessas últimas é que está o melhor do viver. Nelas, reside o amor.
E isso já basta.