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25 Julho 2009

Sobre o tempo




O tempo. Senhor soberano. Inspiração para canções, poemas e pensamentos. Aquele que é inevitável. O irrefreável. Infinito.
Nunca gostei dessa história de tempo. Toda vez que queria alguma coisa e não conseguia, logo vinham me dizer: "Calma, com o tempo você consegue!" Mas ele parecia nunca chegar.
Parecia, porém chegou. No momento certo chegou. Ou foi o momento que se tornou certo com sua chegada? Ou não existe o certo e errado quando ele chega. Apenas o momento.
Dizem que o tempo é o melhor curativo para as feridas. Claro que essa expressão é das pessoas que possuem o dom do perdão. Aos rancorosos e vingativos, o tempo é o melhor tempero para uma ferida aberta e ao desejo de ver o agente causador desfrutar do mesmo sabor dessa.
Posso dizer com toda veemência que não me enquadro aos que perdoam. Infelizmente não possuo esse dom com a eficiência necessária.
Entretanto, terei de concordar com a expressão citada.
Vivenciei essa situação. Precisei do tempo para me encontrar.
Vivi perdida em meus pensamentos, como sempre férteis.
Uma fertilidade grotesta as vezes. Coisa que constantemente me fere.
Mas provei da cura.
Não é dos remédios mais saborosos. Amarga demais. Angustia bastante.
Pede sabedoria e paciência.
Porém é eficaz. Cura algo que não mais se abre.
Traz conhecimento.
Não tenha medo do tempo. Não tenha medo das mudanças que ele causa.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

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