Ouro Preto e a Transversalidade

27 de maio de 2009 |

A linha da ladeira
Foto tirada por Michel Resende.


Esse mês realizamos uma visita á Ouro Preto para exercitarmos o olhar estético e aplicar algumas teorias de Roland Barthes sobre a técnica fotográfica. É claro que em contrapartida divertimos bastante. Cada qual da sua maneira, mas em suma essa viagem marcou cada aluno daquela sala.

Meu grupo, após muita discussão, resolveu escolher o tema "Transversal". Confesso que inicialmente não tinha colocado muita fé nessa história, porém havia um trabalho para se fazer e diante da exigência artística do professor admiti que era uma boa escolha.

Infelizmente não pude acompanhar os membros do meu grupo, primeiramente por causa das ladeiras da cidade. É impossível andar de cadeira de rodas naquele lugar. Quer dizer, é possível, porém naquele dia não estava muito a fim de trepidações... rs.

De qualquer forma, a minha ausência não fez diferença no resultado final. E que fotos.

Contudo o motivo deste post não são as perfeitas angulações de meu colega, mas o tema. Após o trabalho, seguindo orientações do professor, foi feita uma pesquisa acerca da transversalidade e antes que eu pudesse pensar lá estava eu apaixonada pelos conceitos que giram em torno dessa simples palavra.

Yves Barel (1989) para explicar esse conceito usou como exemplo o Z do personagem Zorro. Segundo ele a forma como é composta esse logo, duas paralelas sendo ligadas por uma barra oblíqua, "fazendo reencontrar o que não se pode reencontrar", é uma perfeita metáfora do trânsito de conceitos das disciplinas.

O conceito transversal não é estático, ao contrário, é fluido. Movimenta-se. Transita. Absorve outros conceitos e segue sua tragetória para manter o fluxo. É um conceito andarilho.

Um exemplo disso? Nós e as exigências do mundo globalizado. É de priori que uma pessoa não seja mais firmada somente em um só pensamento. Pessoas estáticas, conservadoras são consideradas atrasadas no mundo atual.

O homem pós moderno é transversal. Não é mais centralizado, saiu de si mesmo para voar pelas outras culturas absorvendo o que é de melhor delas e novamente se lançando ao voo para buscar novas. Não é ausente de significado, apenas repleto deles.

Transversal é reconstruir.

E Ouro Preto é exatamente isso. Aos olhos de um alguém inocente pode parecer uma cidade tombada, parada e repleta de lugares antigos e mofados. Mas em verdade é um lugar repleto de transitoriedade. De transversalidade.

Foi construída com a união de várias culturas, e elas ainda estão lá. Hoje vagueiam pelas ruas, tirando fotos, obtendo novos olhares e refazendo a cidade constantemente. As lojas conseguem fazer esse caminho entre o novo e o antigo, reformulando suas fachadas em respeito ás construções. Isso faz com que haja um novo ar naquele lugar. Uma sensação de que algo mudou, porém continua o mesmo e ao mesmo tempo já não é mais aquilo que fora. É outra coisa.

Algo transversal.

P.S.: Peguei pesado nos conceitos nesse post, mas foi por uma boa causa. Espero não ter sido entediante, rsrs.

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