O conteúdo de uma palavra

21 de abril de 2009 |

"São tempos difíceis para os sonhadores."
Frase do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"

E de repente, mais um dia. O sol desponta, os animais em sua rotineira algazarra matinal, e os humanos como sempre sem nada perceber. O amanhecer está irritantemente laranja. Hoje não era isso que eu queria. Desejava um dia colorido.
Porque não, por uma só vez o sol nascesse sorrindo e dele saíssem raios ondulantes de todas as cores com uma bela canção de jazz ao fundo.
O que quero é alguma coisa que me faça suspirar ao ver o nascer de mais um dia.
O fato de viver tem sido para mim grande motivo de alegria como nunca tinha ocorrido antes. Caso alguém queira utilizar esse argumento contra as necessidades que irei relatar, de antemão já aviso, é de conhecimento do acusado e não poderá ser usado contra.
Eu quero algo a mais. O que quero cabe em uma palavra.
Uma apenas, grande é o seu conteúdo, ou como diz um amigo, a sua definição.
Porém, para mim ela é indefinível porque não foi feita para pensar, contudo para sentir...

Eu quero o seu interior. Perder o ar. Sentir as mãos gelarem. O coração pulsar. As pupilas dilatarem. A boca torna-se um sertão. É isso sim, experimenta-se a sensação da morte, quando se está degustando o insano sabor do amor.
Tal vocábulo possui muito mais do que o mero significado e sensações aí relatadas... E é isso que busco, um além de.
Não quero mais a chatice do mundo normal. Não quero um namorinho de portão. Nem um beijo de final de semana. Preciso de muito mais. Sentir meu corpo fundindo ao corpo de alguém. Ver minha alma entrelaçada ao outro. Dançar um balé deslumbrante pela sua perfeita sintonia.
Abrir os olhos e ver-me espalhada pelo mundo irradiando aquilo que há de melhor no viver. Estar cheia de uma coisa sem matéria. Um nada recheado de sensações...
Eu quero o conteúdo. Não apenas a palavra dita, repetida sem emoção ou proferida em um momento de tesão. Quero o tudo. Alma. Espírito. Corpo. Mente. Humano. Mundo. Deus. Vida. Enfim, levantei da cama. O dia correu, já é tarde agora. E o tempo se vai. As estrelas estão longe. E a Lua se escondeu. Mais uma vez ele se foi. E agora tudo está escuro. Não há cores...

OBS.: O texto não ficou muito bom, mas tenho em mãos a justificativa... Uma pequena frase de Chaplin:
"O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir. "

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