A capacidade de falar... demais!!!!!!!

26 de novembro de 2008 |


"Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano."Slm.34,13.

Minha mãe diz um ditado que sempre me encantou pelo seu teor lúdico: "Caveira, o que foi que te matou? E ela responde: A língua!"
A linguagem é algo fascinante, a capacidade de se expressar por palavras mais ainda. Dizem que isso só foi possível nos seres humanos e que por esse motivo somos "mais importantes" do que o restante dos animais. Segundo Monod (se não me engano) o homem já possuía uma estrutura que lhe permitiu essa capacidade de falar. Essa anatomia foi desenvolvendo, e concomitantemente à ela o cérebro. Dessa forma, foi a fala que moldou a evolução desse. Essa língua tornou-se mais complexa, elaborada. E acabou por se tornar um diferencial entre os povos, e para alguns o seu maior patrimônio.
Em alguns momentos da história, e penso que até hoje, aquela foi motivo de guerras, invasões, soberanias. Exemplo disso, nosso memorável Império Romano que considerava bárbaro todo aquele que não falava o latim. Ultimamente, temos isso um pouco mais "hardcore". Desatualizado é todo aquele que não domina a linguagem virtual e principalmente o inglês estadunidense (ou americano se preferir).
Porém, abandonemos os devaneios... Já lhes contextualizei a respeito da linguagem. Agora vamos direto ao assunto! Interessante pensar que apesar de todo esse percurso, de tantas variações, certas coisas ainda são inerentes á toda pessoa nesse pequeno mundo. A capacidade de falar mal de alguém... O doce sabor da fofoca.
Ah, quem nunca se coçou para contar um caso sobre determinado alguém? Até mesmo o mais imaculado dos seres já se pegou confabulando algo a respeito de outro. Há os que nem disfarçam, falam mal mesmo e sentem prazer nisso!
Não me colocarei no lugar de juiz. Essa não é a intenção do blog. (é sempre bom ressaltar isso, caso esqueçam) Afinal, a cidade dos clowns ainda tem seu lado azul. O lado dos excluídos é claro.
Outro dia, parei para observar uma cena na faculdade. E percebi que várias pessoas falavam de tantas outras. Não sei dizer se aquilo me incomodou. Mas certamente atentou-me para algo.
Todos temos dificuldade de lidar com a existência do outro. Pronto, agora pode me considerar uma louca que possui fobia da sociedade. Contudo, antes de ligar para o sanatório, tente compreender minha afirmação.
Quando digo que a outra pessoa incomoda, não me refiro ao ser físico. Apesar de que algumas pessoas possuem essa barreira mesmo. Porém, estou dizendo que algumas vezes o pensamento do outro nos incomoda. E muitos, não sabemos como se comportar nesse momento.
Ao se deparar com esse desafio, procuramos desmoralizar o oponente. Buscamos nele defeitos que argumentem nossa antipatia. Há quem diga que isso é inveja. Outros birra mesmo. E tem os espiritualistas que culpam os anjos: "É meu anjo não bateu com o dele!"
Engraçado ouvir isso, parece que existem facções no céu. De um lado a galerinha do time do Gabriel, do outro do Miguel... e assim vai.
Ainda não sei dizer qual opinião possuo a respeito disso. Apenas sei que essa atitude me incomoda as vezes. Por mais que eu também me pegue falando de alguém, sinto-me estranha com isso. E fico pensando por que é tão difícil aceitar as pessoas como elas são. Por que uma pessoa normal como eu, torna-se motivo de ódio, raiva, antipatia.
Será que o problema está no outro, ou em mim mesmo? E se a outra pessoa for um espelho?

Quando a pasta no rosto incomoda...

10 de novembro de 2008 |

Há dias que não se sabe se levantamos ou continuamos deitados. A luta diária nos parece insuportável, uma voz mais alta se torna uma agressão. São dias de deslocamento. Momentos em que o nada nos parece mais familiar do que o tudo. O tudo já não é nada. Esvaziou-se. As relações ficaram sem graça. O sexo virou rotina. Programado. Beijo, toque, penetração, gozo, sono. E o dia nasce novamente. Reiniciamos todo o processo.
O corpo se cansou. A mente desligou-se. Olhamos para os lados e não há ninguém. Os alguéns que antes existiram, perderam sua face.
Nesses dias caminhamos sem rumo. Executamos nossas tarefas sem prazer. Há algo de errado. Não se sabe o que é. Ou melhor, não queremos saber o que é. Não temos tempo.
Alguns se refugiam em salas bem decoradas com um único personagem cientificamente preparado para lhe dar ouvidos. É um ser mítico, que compreenderá todas as suas mazelas e magicamente, ou melhor teoricamente estruturado, oferecerá seu diagnóstico e o caminho a ser percorrido. O refúgio dura apenas alguns minutos por dia. E ao final do mês ele deve ser recompensado. O tal ser mítico, em verdade, é humano também. E provavelmente também possui problemas.
Esses dias são para aqueles clowns que não se sentem confortáveis com a vida que possuem. Isso por que a escolheu por pressão, seja externa ou até mesmo interna. Esses clowns são os chamados stressados, deprimidos até mesmo rebeldes. Nunca são compreendidos. Pelo contrário, estão no rol do julgamento. Ou melhor, no alvo do dedo acusador.
O acontece com eles é que a pasta no rosto incomoda, começa a coçar, queimar, ferir. As cores no mundo são falsas. A realidade é programada. As pessoas, ou os outros clowns, já não se importam. Falta-lhes o amor. É o momento em que não há lugar.
Há os que se desesperam, e insistem ansiosamente entrar no senso-comum. Entretanto, existe os que visualizam um novo viver. Percebem que a vida lhes oferece muito mais do que aquilo que possuem nas mãos. Esses nós chamamos de vencedores!

Pensar XII

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"Rótulos são para geléias. Para garrafas e caixas. Para pessoas, elogios. Críticas, tudo bem! Só não vale julgar sem conhecer. Rock não é minha praia. Electro não é minha praia. Jazz não é minha praia. Na verdade, não gosto de praia. Mas se me der um boa música, eu topo. Se me der uma música ruim, mas uma boa companhia, topo também.
Rótulos são limites e o lema aqui é liberdade. Principalmente de expressão."

Igor Arci

Pensar XI

6 de novembro de 2008 |

"DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio..."

Mario Quintana