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06 Maio 2012

Sobre os dias

A vida girou.

Movimentou tudo e bagunçou aquilo que demorei tantos anos para organizar. Tudo está espalhado, perdeu sentido, algumas coisas ganharam significado, outras esvaziaram, e ainda assim ocupam espaço.

Tem muito lixo por aqui, nessas horas percebemos que guardamos muita coisa ao longo dos anos. Existem mágoas, rancores, dissabores, lembranças ruins e agora está tudo ali espalhado na minha frente. Preciso tomar coragem e organizar tudo de novo.

Porém estou cansada. Tentei tanto que nem percebi o quanto me desgastei. Olho-me no espelho e vejo marcas, algumas profundas outras simples e pequenas, contudo todas estão ali para que eu não esqueça de que um dia houve dor e sangue. Acho que minha vida é isso, um girar sem fim, uma montanha russa de emoções e sensações que não cessa seu movimento. Mas esse girar, ah, como me balançou.

Fazia tempos que não me perdia tanto. Nesse momento a única coisa firme que tenho é esse chão. Frio e duro como se tornou meu coração. A quem quero enganar? Meu coração ainda é o mesmo molenga de sempre, aquele que se entrega demais, que ama sem medidas e sem reservas. Deve ser por isso, então, que estou tão cansada.

"Como você é tola!", pensei. E sorri. Minha doce tolice me proporcionou tantas coisas boas, momentos únicos e especiais que agora estão ali molhados com minhas lágrimas. Brilhavam apesar disso. Era possível separá-los pelo simples irradiar de sua luz. Quem sabe não era isso que deveria fazer?

Não sei dizer, não sei o que fazer. E essa vida que não gira, meu Deus. Faça tudo rodar, rodopiar e retomar  seus lugares. Traga coisas novas, leve as antigas e limpa minha alma. Refrigera esse coração que não sabe mais viver pela metade.

26 Fevereiro 2012

Entender é sempre limitado

05 Janeiro 2012

Certo dia os ratos resolveram discutir quem deveria ficar com o Grande Queijo. 
O rato de telhado, tentando resolver aquele impasse disse:
_Eu mereço esse pedaço porque fico nas alturas e anuncio quando o perigo se aproxima. 
O rato de esgoto, enfurecido com aquilo disse:
_Mas eu conheço as porcarias do homem como ninguém. Fui condenado a esse destino, mereço pelo menos alguma coisa boa nessa vida. 
O rato da árvore não se conteve com aquelas palavras e rolou de rir, chegando a cair no chão. Mesmo entre as risadas falou:
_Teve o que mereceu! Tua sina é essa, a natureza te fez para isso. Eu mereço esse pedaço porque sou o único que respeita os caminhos que o destino nos designa. 
Ficaram ali discutindo quando o rato de laboratório chegou com o braço erguido e gritando bem alto:
_Calem a boca, seus imbecis! Se existe alguém que merece esse queijo sou eu. Sou o mais limpo, o mais querido e o mais inteligente de todos. 
Os outros ratos se revoltaram com aquelas palavras e começaram uma intensa disputa. Bateram-se, morderam-se e sangraram aos pés do Grande Queijo. Ali ficaram agonizando até o dia amanhecer. 
Os raios de sol entraram na cozinha e junto deles o vento que remexeu e soltou as folhas do calendário que estava na parede. Uma delas voou e caiu sobre quatro ratos mortos. Era o mês de agosto com uma linda foto de um queijo gigante.

28 Dezembro 2011

Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado

Feuerbach - Prefácio à segunda edição de A essência do cristianismo


26 Dezembro 2011




Abriu a janela na esperança de encontrar um novo amanhã.
Mas deu de cara com a noite.
O vento frio trazia a lembrança daqueles abraços que aqueciam.
Tão quentes que os olhos não suportavam, derretiam-se e jorravam sem fim.
O calor deu lugar ao frio e a lembrança abriu espaço para dor.
Olhou para o céu e viu as estrelas. Sim, elas estavam lá.
Fechou a janela e tentou dormir.
Era tarde demais e o sol só aparece de manhã.
O sol aparecerá com o tempo. 

fonte-imagem: vi.sualize.us

17 Setembro 2011

14 Agosto 2011

O que dizer?

Há tanto assunto, tantas situações, momentos que as ideias não conseguem se organizar para serem colocadas para fora. Tudo quer sair ao mesmo tempo, como se fossem vômito, como se me fizessem mal, como se não me pertencessem.

Mas eu não o faço.

Evito, respiro, suspiro, evito novamente, esqueço, relembro e me calo.

Não há o que fazer, falar ou reclamar. Acho que chegou aquele momento em que suas palavras não importam mais, pelo menos não da forma que achava. Teus sentimentos anularam-se ou escondem por baixo de uma crosta de preocupações que se julgam mais importantes: faculdade e trabalho, não necessariamente nessa ordem.

O coração bate, ou melhor, cumpre sua função. O cérebro, as vezes falha, apesar de considerar que ele precisa de umas férias...

Por hoje, e aliás há algum tempo, não sei o que dizer. Espero poder contar com sua presença quando eu realmente puder e quiser falar algo, mas por hoje prefiro ficar por aqui. Observando. Apenas.